AÇÕES CONJUNTAS DA PREFEITURA DE TATUÍ E DAS POLÍCIAS CIVIL E MILITAR INTERDITAM CLÍNICAS TERAPÊUTICAS IRREGULARES

A Prefeitura de Tatuí, em conjunto com as Polícias Civil e Militar, realizou, nesta segunda-feira (20/01), operações concomitantes em duas clínicas terapêuticas irregulares, as quais eram estabelecidas na cidade de Iperó e se instalaram no município de Tatuí na última sexta-feira (17/01).

Conforme dito pelo secretário municipal de Trabalho e Desenvolvimento Social, Alessandro Bosso, as ações se deram pelo fato de que, no último domingo (19/01), apareceram no município uma moça e um adolescente que eram pacientes destas clínicas e resolveram fugir, por conta de maus tratos. Os dois casos foram atendidos pela equipe de assistentes sociais da Prefeitura de Tatuí. “A partir daí, percebemos que os dois casos tinham ligação, pois a mulher apareceu nas imediações do Jardim Santa Rita de Cássia, na base comunitária da Guarda Municipal, e o adolescente no Jardim Alvorada, alegando que teria vindo da região da Vila Angélica”, explicou Alessandro.

Com isso, foi necessário montar duas equipes, das quais participaram: a Vigilância Sanitária, o Departamento de Fiscalização, a Assistência Social, o Conselho Tutelar, a Guarda Civil Municipal, além das Polícias Civil e Militar. Uma seguiu rumo ao Jardim Santa Rita de Cássia, e a outra para o bairro Lagoa Vermelha.

No bairro Lagoa Vermelha, foram encontradas 16 pessoas, sendo 4 adolescentes. A chácara onde permaneciam os pacientes não possuía estrutura física para comportá-los de maneira confortável, uma vez que estavam todos alojados em dois quartos, sem nenhuma cama ou beliche, tendo apenas um amontoado de colchões. Segundo Alessandro Bosso, “parecia um depósito de pessoas, todos ao redor da piscina, sem nenhuma atividade terapêutica”.

A clínica não apresentou nenhuma documentação de autorização de funcionamento, e os documentos dos pacientes estavam desorganizados, sendo que alguns não possuíam um documento sequer de identificação no local. A clínica foi interditada pela Vigilância Sanitária e todos os pacientes foram identificados, um a um, passando, também, por avaliação médica no local. Os adolescentes e os dois monitores da clínica foram conduzidos para a delegacia.

No Jardim Santa Rita de Cássia, a outra equipe se deparou com 17 mulheres internadas, sendo que 9 delas não apresentavam documentação e estavam totalmente dopadas. A maioria das mulheres tinha traços de doenças mentais. Ou seja, no local, estavam juntas pacientes de psiquiatria com usuárias de álcool e drogas.

O local era bem estruturado, porém, não possuía alimentação suficiente para todos que ali estavam internados. Esta clínica também não apresentava documentação de autorização de funcionamento, e foi interditada. Foi realizado o mesmo procedimento de identificação e avaliação do quadro clínico dos pacientes. As mulheres que estavam sem identificação e um casal de monitores foram conduzidos à delegacia.

Na delegacia, um inquérito policial foi aberto, e iniciou-se com o depoimento da jovem e do adolescente – que foram encontrados no domingo (19/01) -, seguidos pelos depoimentos dos monitores das duas clínicas. A Assistência Social e o Conselho Tutelar entraram em contato com os familiares dos pacientes. Alguns vieram buscá-los no mesmo instante. Outros, contudo, habitam em municípios mais distantes, e, por conta disso, virão busca-los nesta terça-feira (21/01). No entanto, a clínica também internava pacientes de outros estados, o que dificultou um pouco a ação. Três dos adolescentes foram acolhidos na Casa de Acolhimento Institucional de Tatuí, visto que os pais não conseguiram buscá-los.

De acordo com o secretário Alessandro Bosso, “trata-se de um grupo formado por várias clínicas na região, nomeadas de ‘Tradição’ ou ‘Ipanema’, que foi formalmente identificado como ‘Med Styles Serviço de Saúde Ltda’”. Os contratos encontrados estavam em nome desta empresa. Nenhuma pessoa foi presa, já que o responsável pelas clínicas não estava presente. O delegado de polícia determinou que os pacientes retornassem para as clínicas, juntamente com os monitores. Entretanto, foi concedido um prazo de 24 horas para que todos fossem devolvidos aos familiares, os quais já foram cientificados do ocorrido pela Assistência Social e pelo Conselho Tutelar.