EXPOSIÇÃO EM HOMENAGEM AO MAESTRO COELHO ACONTECE ATÉ 16 DE FEVEREIRO, NO MUSEU HISTÓRICO “PAULO SETÚBAL”

O Museu Histórico “Paulo Setúbal”, equipamento de Cultura da Prefeitura de Tatuí, está promovendo a exposição “Ilustres Tatuianos”, em homenagem a José Coelho de Almeida, mais conhecido como Maestro Coelho, que foi o criador da Corporação Musical “São Jorge” e atuou como diretor do Conservatório de Tatuí de 1968 a 1983.

            A exposição encerrará no dia 16 de fevereiro, e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 9h às 17h. O projeto “Ilustres Tatuianos” é uma ação colaborativa entre o Museu e o Grupo Seresteiros com Ternura, que foca na tradição seresteira, considerada uma grande manifestação da cultura brasileira.

O Museu Histórico “Paulo Setúbal” está situado na Praça Manoel Guedes, nº 98, Centro. Mais informações podem ser obtidas no Setor de Agendamento, pelo fone (15) 3251-4969, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, ou pelo e-mail museupaulosetubal@tatui.sp.gov.br.

Sobre o homenageado – José Coelho de Almeida, mais conhecido como Maestro Coelho, nasceu em Tatuí no dia 13 de janeiro de 1935. É casado com Nilda Fonseca Coelho de Almeida e é pai do oboísta Carlos Eduardo Fonseca Coelho, do flautista Tadeu Coelho (José Coelho de Almeida Júnior), do fagotista Benjamin Antônio Coelho Neto e do clarinetista e saxofonista Luiz Fernando Fonseca Coelho.

É pedagogo musical, administrador escolar, cultural, flautista, regente e 22º mestre de banda da história de Tatuí. Em 1948, iniciou seus estudos musicais na Escola Estadual “‘Barão do Suruí”, com o professor Nacif Farah, e, em janeiro de 1951, ganhou sua primeira flauta, iniciando seu estudo acerca do instrumento com Eulico Mascarenhas de Queiroz e João Baptista Del Fiol.

Com a inauguração do Conservatório de Tatuí, em 1954, ingressou na instituição, formando-se em Flauta, na classe do professor e maestro Spartaco Rossi, no ano de 1957. A partir de 1955, foi flautista da Orquestra da Associação Cultural “Pró-Música”, de Tatuí, sob regência do maestro Spartaco Rossi. Teve a oportunidade de reger a tradicional Banda Santa Cruz, considerada uma das mais antigas do país, de acordo com registros históricos.

José Coelho de Almeida foi vereador em Tatuí por dois mandatos consecutivos, de 1956 a 1963, e músico de intensa conexão com a comunidade tatuiana.

No início da década de 1960, a pedido do vereador Lucas Pelagalli – chefe do setor de manutenção da Fábrica de Fiação e Tecelagem São Martinho -, em nome de um de seus proprietários, João Chammas, organizou uma banda de música para os filhos dos operários da referida indústria.

Foi o pioneiro no Brasil no campo da formação de prática coletiva de sopros e percussão, organizando, em 1962, a Corporação Musical “São Jorge”, de Tatuí (de 1962 a 1967). Por meio de uma exposição realizada na vitrine da loja “Casa dos Presentes”, atraiu centenas de pessoas curiosas em conhecer os instrumentos que haviam sido adquiridos para a formação da banda. A Corporação Musical “São Jorge” realizou seu primeiro concerto público no dia 20 de janeiro de 1963, no palco do Cine Teatro São Martinho, de Tatuí, para uma plateia lotada, que os aplaudia entusiasticamente.

À frente da Corporação, Maestro Coelho realizou mais de 150 apresentações públicas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Segundo o maestro, a corporação foi um sucesso, pois “industriais, empresários em geral, são pessoas extremamente intuitivas e práticas; quando analisam um projeto da área cultural que se lhes é apresentado, imediatamente conseguem filtrar o que lhes interessa”. Em 1967, por ocasião das festas juninas, enquanto maestro da Corporação São Jorge, realizou um arranjo exclusivo para a festividade, tendo como foco a música “Cai, cai, balão”.

Mestre de banda da Corporação Musical “São Jorge”, marcou época com a famosa “Velha Guarda Imortal”, composta pelo maestro Spartaco Rossi, a pedido da família Chammas, para o gênero seresta. Mas o sucesso da Corporação ocorreu quando, em um dos intervalos dos primeiros Festivais de Seresta de Tatuí, o maestro Coelho executou “São Paulo Antigo” com músicas do cancioneiro popular.

Em maio de 1968, assumiu a direção do Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”, de Tatuí, dedicando seu empenho em fazer com que a instituição atingisse o lugar merecido no contexto artístico musical do estado de São Paulo, visto que a instituição quase fora fechada durante a administração do governador Abreu Sodré (1967/1971).

Em sua gestão, o maestro conseguiu convencer a classe política local a ceder ao Conservatório de Tatuí, em comodato para o estado de São Paulo, o prédio onde funcionava a Câmara e a Biblioteca Municipal, na Rua São Bento, nº 415, Centro, para que a escola tivesse melhores acomodações, fato consolidado no dia 24 de abril de 1969. Com o novo prédio, a instituição dobrou o número de alunos, passando de 250 para 600 alunos.

Em 1970 é iniciada a construção do auditório da escola, atualmente Teatro “Procópio Ferreira”, com o apoio do secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Orlando Gabriel Zancaner, e do prefeito de Tatuí, engenheiro Orlando Lisboa de Almeida.

Em 1971, realizou a unificação do conteúdo programático das áreas de cordas e piano, para que pudesse ser ampliado de forma mais objetiva e eficaz, replicando os moldes curriculares da Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil (piano) e do Conservatório Municipal de São Paulo (cordas).

Em 1976, instituiu o curso de Artes Cênicas no Conservatório de Tatuí, e, em 1977, realizou o “Festival Estudantil de Teatro Amador”, com o intuito de incentivar a atividade teatral entre os estudantes da cidade e atrair alunos para o curso, tornando-se conhecido e reconhecido nacionalmente, firmando-se como um setor que oferece atividades cênicas em diferentes níveis. O “Festival Estudantil de Teatro do Estado de São Paulo” (Fetesp), que nasceu como “Festival Estudantil de Teatro Amador”, foi oficializado pelo decreto estadual nº 18.434/82, em 15 de fevereiro de 1982.

Foi em sua gestão, no ano de 1976, que o Conservatório recebeu o título de “maior escola de música da América Latina”. Neste mesmo ano, a instituição ganhou uma importante contribuição do empresário José Mindlin, que doou uma enorme quantidade de instrumentos para a escola. Outra importante doação ocorreu em 1981, quando o empresário Wanderley Bocchi cedeu um extenso terreno, onde hoje está construído o alojamento da escola.

Deixou o cargo em 1983, com um importante legado para a história da música tatuiana e do Conservatório de Tatuí, como descreveu o maestro João Carlos Martins em maio de 2019, no Salão “Villa Lobos”, da instituição: “O Conservatório viveu bons e maus momentos em sua história. Dois momentos foram bastante positivos, vivenciados pela direção dos maestros Coelho e do Neves”. Diante do exposto, vale ressaltar que em sua gestão, Mastro Coelho introduziu os mais modernos métodos de trabalho, tanto no setor administrativo como no didático, modernizando completamente a parte pedagógica da instituição. Também idealizou, criou e dirigiu a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí.

De 1973 a 1978, foi assistente do maestro Eleazar de Carvalho, no Departamento de Prática de Orquestra do Centro de Cultura Musical. Foi professor de regência de banda nos Festivais de Inverno de Campos do Jordão, em 1979 e 1980, e coordenador pedagógico em 1981 e 1982, introduzindo a Banda Sinfônica e possibilitando o atendimento de um maior número de bolsistas. Em 1979, a Folha de São Paulo noticiou: “A coordenação de todo o trabalho com as bandas e maestros será feita por José Coelho de Almeida, da Escola de Tatuí, e do major Rubens Leonelli, da Banda da Polícia Militar”, e acentuou: “Do total de 300 bolsas, 84 seriam destinadas a instrumentistas de violino, viola, violoncelo e contrabaixo. A razão desta ênfase é justificada pelo professor José Coelho de Almeida, um dos coordenadores do evento, pela carência deste tipo de instrumentistas nas orquestras brasileiras”.

De 1983 a 1987, prestou serviços de assessoria técnico-administrativa aos departamentos de Artes e Ciências Humanas e Museus e Arquivos da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

De 1987 a 1991, trabalhou no Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp, na organização e implantação de uma banda musical comunitária – a Unibanda. Na Unicamp, também, ministrou aulas de flauta, música de câmara e instrumentação. De 1988 a 1994, ministrou aulas de flauta e prática de conjunto na Escola Britânica de São Paulo. De 1991 a 1999, coordenou e implantou o plano de ação de atividades de lazer musical no Sesi-SP. Em 1991, o Prof. Coelho voltou a Tatuí para introduzir a prática coletiva de instrumentos musicais de sopros e percussão na Corporação Musical Santa Cruz, cujo presidente era o Tenente PM Arlindo Vieira Pinto.

Durante toda sua vida profissional, teve a oportunidade de empreender projetos de ensino coletivos nos setores público, privado e autárquico, nos graus primário, médio e superior, trabalhando com crianças, jovens, adultos e idosos. Projetos que foram realizados no Conservatório de Tatuí, no Curso de Educação Artística da Faculdade de Filosofia de Tatuí, no Departamento de Música do Instituto de Artes da Universidade de Campinas, na Escola Britânica de São Paulo, no Serviço Social da Indústria (Sesi) do Estado de São Paulo, entre outros locais por onde alunos de seu didatismo o levam e que não chega ao seu conhecimento.

Em 2014, participou da entrevista da série “Notas e Compassos na Capital da Música”, relembrando a história de Tatuí como “Capital da Música”, sendo entrevistado por Sílvia Corradi de Azevedo Cruz, neta de Bimbo Azevedo.

Atualmente, tem recebido diversas homenagens pelos serviços prestados no campo de Educação e das Artes. Entre eles: Diploma de Honra ao Mérito pela criação e manutenção artística da Corporação Musical “São Jorge”, bem como pela dedicação e entusiasmo dedicado aos jovens músicos, conferido pela Câmara Municipal de Tatuí nos termos da Resolução nº 2/66 de 23 de maio de 1966; Diploma pela Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo, pela organização do 1º Festival Estudantil de Teatro Amador de Tatuí em 30 de novembro de 1977; Sócio Benemérito da Lira Musical “Pedro Salgado, da capital, pelos relevantes serviços em prol do seu crescimento em 12 de setembro de 1979; Certificado de Reconhecimento Lions Clube de Tatuí pela sua brilhante apresentação na Noite Lírica realizada em 26 de abril de 1978; Sócio Benemérito da “Cultura Artística de Nova Friburgo”, do Rio de Janeiro, pelos relevantes serviços prestados à sociedade e à cultura de Nova Friburgo e do País, em 31 de dezembro de 1982; Título de Cidadão Emérito de Tatuí, outorgado pela Câmara Municipal de Tatuí por meio do Decreto Municipal 020/98 de 24 de junho de 1998; e Conferência “Aspectos históricos, políticos, didáticos, econômicos e socioculturais no ensino coletivo de instrumentos musicais” – um relato realizado em 1º de dezembro de 2004 na escola de Música e Artes Cênicas/Unidade federal de Goiás, dentro do “I Encontro Nacional de Ensino Coletivo de Instrumento Musical.

Em 27 de novembro de 2015, foi agraciado pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) com a medalha “Sud Menucci”, em razão de seus méritos e relevantes serviços prestados à Educação, ao Ensino, ao Magistério e à Entidade.

Recebeu homenagem em 26 de fevereiro de 2018, no Teatro “Procópio Ferreira”, do Conservatório de Tatuí, onde, após 34 anos, subiu ao palco do referido Teatro.

Em 31 de agosto de 2019, também no Teatro “Procópio Ferreira”, foi homenageado no Concerto da Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí, onde conduziu parte do Concerto.